domingo, abril 30, 2017

 

13 Reasons Why - Fita 8 lado A

Th1rteen R3asons Why, série de TV original da Netflix, é a primeira, das que já assisti, que 'termina no fim'. O que quero dizer com isso? Que, por mais que eu queira saber se Bryce será condenado por seus crimes, se Alex vai sobreviver, se a mãe de Hanna vai usar as fitas no processo contra a escola ou o que será da vida de Jessica, são todas perguntas com as quais posso continuar vivendo sem saber as respostas. 

Acho que a minha satisfação com o final da primeira temporada se dá porque a série não é sobre Hanna Baker, uma estudante do ensino médio que comete suicídio, mas sobre seu colega de turma, Clay Jensen, que ao receber as sete fitas-cassetes onde Hanna explica as razões porque se matou, empreende uma jornada de autodescoberta, mudando sua atitude diante do mundo, passando de uma postura de omissão para uma postura de ação, rompendo com o código existente entre os que são citados nas fitas, o de não deixarem outras pessoas tomarem conhecimento do conteúdo das fitas. 

O simbolo de que Clay passou a protagonista da própria história se dá no episódio 12, o penúltimo, onde com sangue, seu próprio sangue, já que leva uma surra para isso, arranca, ou melhor, grava a confissão de Bryce, acrescentando assim o lado B a fita número 7. 

E se ainda restar alguma dúvida aos que discordem da minha visão, no final do último episódio, na escola, logo após passar as fitas a última pessoa mencionada nelas, Clay retoma a amizade com uma colega de turma da qual estava afastado desde o início do ano letivo. Ele, que está suspenso das aulas, convida a amiga a matar aula. Lá fora, pegam a estrada no carro de Tony, amigo e também estudante da mesma escola, uma especie de mentor de Clay durante a dura jornada de escutar as fitas de uma morta. Clay, com uma cicatriz na testa, conseguida num tombo de bicicleta no primeiro episódio, e várias outras da surra que recebeu de Bryce, está mais forte, sente o vento no rosto e esboça um sorriso, ao seu lado Tony dirige, no banco de trás a colega de Clay e um colega de Tony. Uma tomada área mostra o Mustangue vermelho na estrada - rodas rebaixadas, aros cromados, detalhes de brancos no capô e teto. A carro segue, rumo ao horizonte. Fim. 

Fim da primeira temporada. Sim, porque com tanto sucesso, virá pelo menos a segunda temporada. Se a culpa de Clay fosse mais do que a de omissão, se ele tivesse feito uma merda maior, eu estaria avido pela segunda temporada.


sexta-feira, novembro 06, 2015

 

Vale o que está escrito

Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, dia abafado e sem sol. Quarto dia do décimo primeiro mês do ano de dois mil e quinze de nosso Senhor, data do meu aniversário.

Rotsen Alves Pereira. Há 47 anos carrego nome e sobrenome do meu pai. O sobrenome da minha mãe não entrou na composição. Nome é sobrenome foi tudo que o filho da puta do meu pai me deu. Digo filho da puta sem rancor. Até porque tive sorte com o primeiro nome, uns pensam que é árabe, outros que é alemão, isto até conhecerem o etíope aqui. Retornando hoje com minha mãe do médico, descobri que ela também só carrega o sobrenome do pai. Já meu meio-irmão mais velho carrega um "pai desconhecido" grafado em sua certidão.

Vale o que está escrito. É a regra do jogo do bicho. Vale o que está escrito. É a regra dos cartórios, autarquias, departamentos. Escrever é fácil, tanto quanto falar. 

As vésperas de completar meio século de vida - tendo vivido quase metade da vida que terei, já que vou morrer aos cem anos - eu ia dizer que começarei corrigindo meu nome. Mas nem mesmo uma prova corrigimos. Tudo o que o professor faz nela é apontar os erros. Que dirá uma vida passada. 
- Vou corrigir meus erros! Que frase mais estupida.

No instante em que escrevi no paragrafo anterior 'já que vou morrer aos cem anos', me dei conta do que venho dizendo. Vou morrer. Quantas vezes já repeti isto, em tom de brincadeira, estabelecendo o prazo de minha longivibilidade. Todos nós vamos morrer. É a única certeza que cada filho da puta sobre a face da terra tem. Nenhuma certeza sobre céu ou inferno. Nenhuma certeza sobre felicidade ou infelicidade, riqueza ou pobreza. Ah, mas sobre a morte... 

Não há nada a fazer sobre minha morte, mas sim sobre minha vida. E sem que isto seja uma correção ou tenha qualquer outro significado, a partir de hoje, de agora, passo a me chamar, Rotsen Rosa Ribeiro, o Rosa vem da minha esposa, o Ribeiro da minha mãe. 

Assinado, Rotsen Alves Pereira, quero dizer, Rotsen Rosa Ribeiro.

 

Relatos Domesticados

Saio de casa e caminho apressado, estou atrasado. A breve chuva já estiou. Passo em frente ao Castelo Lounge, antigo Castelo das Pedras e sigo até a entrada do Condomínio Floresta. São sete horas e apesar do horário de verão já está ficando escuro. Morando no Rio das Pedras a quase nove anos, é a primeira vez que entro neste condomínio. Na guarita pergunto como chegar ao Theatro Floresta.
- V-a-i andando e entra a direita.

Apresso o passo novamente. Só vejo entradas a esquerda e pergunto se o vigia disse mesmo a direita. Direita e esquerda sempre me confundem. Quando tenho que indicar um dos lados, antes, imagino e as vezes até faço a mímica do ato de escrever, sou destro. É a mesma coisa com horizontal e vertical, para diferenciar um do outro, imagino a linha do horizonte com um por de sol ou no sem fim do mar.

Finalmente chego na primeira entrada a direita. Uma cancela com uma guarita no meio e passagens nas laterais para os carros. Pergunto novamente como chegar ao Theatro.
- V-a-i subindo.
- Mas é a esquerda ou a direita?
- Você vai ver.

A larga estrada é uma senhora rampa. Logo no início uma placa igual as de trânsito pergunta “Você já sorriu hoje”. Olho para a rampa a minha frente e imaginando o quanto ainda vou ter que subir, esboço um sorriso e reinicio a caminhada.
- Você já sorriu hoje? Esta pergunta me faz lembrar o conto do Rubem Fonseca, O Contador, precisamente a parte onde o dentista, batendo com o espelhinho nos dentes cariados do personagem, pergunta: “Como foi que você deixou seus dentes ficarem assim?”

Já escureceu totalmente. A esquerda vejo um campo de futebol, mas antes de reconhecê-lo como campo pensei que fosse uma quadra de tênis, teria mais a ver com o ambiente. A seguir vejo uma arena de hipismo e penso, agora sim. A direita, para onde a montanha cresce, só dá para ver mato.

A subida, no ritmo que estou me impondo – do alto dos meus 47 anos a serem comemorados no início do mês que vem, logo depois do dia de finados – me tira o fôlego.

Estou indo para o segundo encontro de um grupo que quer formar um coletivo cultural, cinema, teatro, música, artes. Faltei ao primeiro encontro. Hoje será exibido um filme argentino. Como dirá o Amarílio, o cinema argentino discute questões atuais, ao contrário do nosso cinema, tomado pelas comédias besteirol. O melhor papa da história é o atual, e é argentino, bem, talvez Francisco perca para João Paulo II. Talvez sejamos mesmo “macaquitos”, como os argentinos nos chamam. O que é natural, afinal, alguém já disse que somos uma república de bananas, com duplo sentido, por favor, como diria Agamenon (Mendes Pedreira), o jornalista.

Procurando manter o ritmo para não chegar muito atrasado, mas sem conseguir manter o fôlego penso, dois encontros desses por semana, esta rampa e adeus ao meu sedentarismo. 

Outros se atrasam, vai rolar aquele papinho inicial, acho que pelo menos o início do filme não perco.

Finalmente vejo o grande prédio, nele uma placa, sede ou sede campestre, não lembro, dois ou três andares, largo, algumas luzes acessas, nenhum sinal de gente, alguns carros estacionados em frente. Entro pelas portas duplas onde uma está aberta. Ninguém. Subo um lance de escadas a esquerda e estou num espaço amplo com sofares e outros móveis rústicos. Ninguém. Apuro os ouvidos e tenho a sensação de ouvir música. Avanço  procurando escutar. 
- Acho que não é aqui embaixo. 
Recuo e subo mais um lance de escadas a direita, vejo a esquerda indicações dos banheiros e novo lance de escada a direita, subo. Posso ver as pedras da montanha incorporadas a construção. Acho que as paredes são marrons. A direita dois ou três lances de escadas levam a um mezanino. Estas ultimas escadas dão um ar de atualidade a construção. Subo e encontro a porta da sala do teatro aberta. Entro. Uma meia dúzia de pessoas sentadas na penumbra. Na imagem congelada no fundo do palco, leio o título do filme, "Relatos Selvagens", enquanto o Amarílio ajusta o contraste. Ele me vê, me saúda e interroga.
- Rotsen?!
Digo que sim e dou um boa noite a todos. Juliana levanta e com toda sua alegria vem me cumprimentar.

Cheguei.

sexta-feira, outubro 30, 2015

 

Reflexões Psicopedagógicas: Filme Oleanna de David Mamet

Reflexões Psicopedagógicas: Filme Oleanna de David Mamet

domingo, junho 02, 2013

 

“Água para elefantes”


Prólogo – ganhei o livro acima participando de um concurso no blog Pitacos da Lua, da minha amiga Alessy.

“Água para elefantes” é sobre o que? É sobre um homem de mais de 90 anos largado num asilo? É uma história de amor tendo como cenário o universo do circo nos anos da Grande Depressão americana? É sobre o show business e as coisas reprováveis que os produtores fazem nos bastidores para levar aos telespectadores o maior espetáculo da terra? Ou é sobre o amor pelos animais, simbolizado na figura de uma elefanta? Bem, “Água para elefantes” é tudo isso, e aí reside o problema.

O livro é a história do jovem Jacob Jankowski que - as vésperas de se formar em veterinário perde os pais num de acidente de carro e vê todos os bens da família serem tomados pelo banco - desnorteado embarca clandestinamente num trem em movimento em plena noite. Trem este que nada mais é do que uma companhia circense, precisamente a trupe dos Irmãos Benzini, que se auto intitulam o maior espetáculo da terra. Jacob por seus conhecimentos como veterinário é admitido ao circo, se apaixona por Malena, casada com o chefe do setor dos animais, e também por Rosie, uma elefanta.

A história começa a partir das lembranças de Jacob, aos 90 ou 93 anos, despertadas pela chegada de um circo que se instala na frente da casa de repouso onde vive. Ora, são lembranças de um homem velho sobre como foi sua vida a partir dos seus 23 anos, mas não vemos o velho e o novo Jacob dialogarem, eles não são a mesma pessoa, são pessoas distintas. O Jacob novo conta sua história no período em que começou no circo e, o Jacob velho conta sua história de como vive hoje numa casa de repouso. Além do que, muitas cenas ao invés de acontecerem, são narradas resumidamente por Jacob.

A autora não constrói as soluções da sua trama, e algumas informações são inseridas a la Deus ex machina, o que me causa incomodo. Para não dizer que a autora não conseguiu nada comigo, ela me surpreendeu com uma revelação sobre algo que lançou no prólogo do livro. Bem, nesse concurso onde ganhei o livro, ganhei também a versão para o cinema, vou assistir, para ver se o roteirista se saiu melhor que a escritora.

sexta-feira, maio 31, 2013

 

Sexo, mentiras e pen drive


O título bem poderia ser este, mas se chama Revenge.

Se você não é tão velho quanto eu, deve estar se perguntando de onde tirei este título. Ele é de um filme de 1989, que se chamava “Sexo, mentiras e videotape”. Aí você vai me perguntar, que diabos é videotape? Bem, videotape é um sistema analógico de armazenamento de imagens, uma fita que armazena imagens, anterior ao DVD. Mas isso ainda não responde por que fiz referencia a este filme. É porque minhas memórias me traíram, fazendo-me acreditar que Madeleine Stowe, a nossa Victoria Grayson, tivesse feito parte desse filme, mas na verdade a atriz que eu pensava ser Madeleine é na verdade Andie MacDowell. Então temos mais uma questão, que eu não sei como responder, em que filme me apaixonei por Madeleine?

Madeleine tem sempre um sorriso doce naqueles lábios, e quando não, nos olhos. Por mais que Emily Thorne, seguindo o conselho de Confúcio,  tenha cavado duas covas ao entrar nessa jornada de vingança, é Madeleine quem impera, victoriosa, mesmo quando perde. Sua capacidade de fazer o que tem que fazer sem ter que se desculpar depois,  senso de humor e, aquele quase sorriso e olhar...

O fim da primeira temporada induzia-nos a crer que Victoria Grayson tinha morrido. Mas nós, expectadores televisivos, sabíamos que isso não era possível. Porque por mais que os inimigos de Emily se multipliquem com as reviravoltas dessa trama, é em Victoria Grayson  que vemos uma antagonista muito superior a heroína.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

 

O Garoto do Tempo

Dois Irmãos

Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa - Rio das Pedras, Índia povoada por nordestinos e por este etíope que vos escreve -  vinte dois dias do mês de janeiro do ano de dois mil e treze de nosso Senhor.  Um mês bastante chuvoso.

Na semana antes do Natal fui pela primeira vez a casa do Junior, um dos meus cinco irmãos e irmãs, que morra em Queimados, município do Rio, na Baixada Fluminense.

Agora nem tanto, mas no inicio, meu irmão deve ter ficado de saco cheio das pessoas estranharem sua decisão de se unir a uma mulher que já tinha quatro filhos. Ao invés de nos alegrarmos por quatro crianças ganharem um segundo pai, ficamos achando que o cara fez uma escolha errada. Como é que a gente pode saber se ele errou? A gente nem sabe o que ele escolheu e por quê?

Na metade do ano passado nasceu Sophia, a filha de sangue dele. Os nomes dos meus outros sobrinhos são: Ruan de três anos, Davi seis, Maria Eduarda nove – se as pessoas soubessem não batizavam meninas com esse nome, eu tenho uma Duda em casa e sei bem o que é uma Duda – e Marceli onze.

A casa é pequena e mal conservada, quarto, sala, a cozinha não passa de um corretor por onde se entra, o banheiro é grande. Quando cheguei a minha cunhada dormia com Sophia no quarto, o Ruan dormia no sofá-cama, enquanto Davi jogava videogame na TV, Marceli e Maria Eduarda, a única que não conheço, estavam na casa da avó.

Apesar de ser mais de sete da noite o calor insuportável daquele dia continuava. Meu irmão fez um café e ficamos papeando, depois saímos e compramos pão. Ele deu café com pão para o Davi, Ruan acordou e ganhou um pedaço de pão, ficou mordiscando o recheio de mortadela, mas vencido pelo sono devolveu o pão ao meu irmão e voltou a dormir.

Ruan, o caçula, é serio, calado e desconfiado, Davi é bem falador. Comparando os dois, me lembrei do tempo em que mamãe nos deixou, a mim e ao Junior, com a tia Raimundinha, que morava no Santo Cristo. Éramos iguais a esses dois meninos, opostos no jeito de ser, aparentemente diferentes, mas muito parecidos, dois irmãos.

terça-feira, junho 28, 2011

 

Família é uma merda

Fazia tempo que um dos meus heróis, Rubem Fonseca, não me surpreendia. A gente que escreve, e até os que não, chega um momento que fica tentando adivinhar o fim das histórias criadas pelos outros escritores. Com o conto "Família é uma merda", a primeira impressão que tive foi de ter lido a primeira história do Fonseca com final feliz. Mas eu não podia acreditar nisso, não vindo do Rubem Fonseca, afinal, a julgar pelo destino do personagem, um desempregado, que termina... não, eu não vou dizer como termina, só digo que o final não é feliz, talvez para o personagem, mas não para o autor.

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