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Deus ex machina

Sempre que ouço cristãos como eu, católicos eu evangélicos, afirmando que Deus falou com eles, experimento uma sensação de desconforto, fico incomodado. Fico me perguntando, como foi isso? Será que eles, assim como Moisés, viram uma sarça arder em fogo? Como é que Deus falou com eles? - Tio – minha filha me chama de Tio, porque sou seu padrasto - Tio, Jesus falou comigo, aqui, agora, enquanto eu lavava louça e a pia entupiu! É, Jesus falou com minha filha enquanto ela lavava a louça. Eu perguntei – E o que Ele falou? Que depois de lavar a louça você tem que limpar o fogão também? - Não – disse minha filha.  Jesus nunca diz para minha filha fazer uma segunda coisa de casa, depois da gente mandar ela fazer a primeira.   – Jesus disse que eu sou como essa pia entupida. - Como assim? -  Jesus me disse – continuou ela – que eu sou como esta pia entupida, vou deixando pequenas sujeirinhas se acumularem em mim, achando que não é nada, e então entupo, fico cheia de água suja e estagnada. - É, é uma bo…

(Maria) Das Dores

Ele chegou para pegar um prato de comida. Disse que comia pouco, mas que podíamos cobrar o preço. Minha mulher lhe fez o prato, acompanhado de um copo desses refrescos em pó que vem em saquinhos e rendem um litro depois de prontos. Como sobremesa ela lhe serviu também um pedaço do bolo que tinha feito ontem para comemorar meus cinquenta anos. Não servimos sobremesa, mas ele comeu tão pouco, que acho que minha esposa ficou envergonhada de cobrar por tão pouca comida que lhe ofereceu o bolo.
Depois de comer, e ele comia pouco mesmo, me falou das dores que o habitavam. E era eu escutando sobre suas dores e pensando que as dores que o habitavam moravam eram em mim. E no final, as dores não eram nem minhas, nem dele. Talvez por ser assim, doíam ainda mais do que se fossem nossas.
Destino, coincidência, acaso, Deus... eu parei de procurar um adjetivo para essas coisas que sempre me acontecem. Dias atrás minha esposa me apresentou a uma lista das dores que nesses quase doze anos de casamento …

Uma declaração de amor ou a primeira poesia que faço para minha filha

Eu não sabia, mas em mil novecentos e noventa e nove, minha filha foi feita, gerada e parida.
Eu não sabia, e os anos se passaram, um, dois, três, quatro, cinco, seis.
Seis anos se passaram e finalmente você nasceu para mim.

Lembro até hoje quais foram suas primeiras palavras para mim:
- Quem é você?
- Um amigo da sua mãe.
E o mais lindo foi o que falou a seguir:
- Deixa meu pai saber disso.

Eu não sabia, só vivia,
e os anos se passaram,
um, dois, três... onze anos.

Eu não sabia, e não sei,
mas minha filha acha que eu sei de tudo.
Ah minha criança,
eu tenho tantas ou mais dúvidas que você.


Entorpecentes

Já ouvi as pessoas dizerem que não gostam de muita coisa, eu, não gosto de figado. Mas de música, nunca ouvi ninguém dizer que não gosta. Pablo, Pablo Vittar, Safadão, Larissa de Macedo Machado, quero dizer, Anitta, atualmente está difícil sintonizar o dial é achar algo que me agrade, escapa a melanina despretensiosa do menino Vitor Kley, uma oração ao deus Sol, quase impossível não cantarolar junto:

"Ô sol vê se não esquece e me ilumina
Preciso de você aqui
Ô sol vê se enriquece a minha melanina
Só você me faz sorrir"

Minha iniciação artística se deu primeiro com Dire Straits e sua mais famosa música Sultans of Swing, nos idos de 1978, aos meus 9 anos.

Você deve está se perguntando, onde vai este texto? O título é entorpecentes, o autor fala de música...

Well, há muita controvérsia sobre drogas, para a maioria, maconha é sinônimo de drogas. O cigarro teve suas propagandas banidas de todas as mídias, já o álcool, causador de muito mais estragos, está entre os capítulos das nove…

Eu vim para servir

Se o Filho do Homem disse que veio para servir, por que nós, simples humanos, não fazemos o mesmo? Mas servir de que maneira? Deixando-nos crucificar? Não, isso coube a Cristo. Não que nós não possamos - afinal, uma das razões porque Deus se fez homem e habitou entre nós, foi para nos dar o exemplo da infinita capacidade humana, já que fomos criados a sua imagem e semelhança - modelos é o que não nos falta, irmã Dulce, madre Teresa de Calcutá, Chico Xavier, entre outros.
Qualquer um de nós, pelo menos em algum momento, já sonhou com grandes feitos, em ser importante, famoso. E as vezes presos a estes sonhos, nos esquecemos de praticar coisas importantes, porque as achamos pequenas demais para alguém tão importante quanto nós fazer.
Quando falo em servir, penso em pequenos atos, diários, despretensiosos. Comecemos por usar as palavras mágicas: bom dia, boa tarde, boa noite, com licença, por favor, obrigado. Depois estejamos atentos, para servir nas inúmeras oportunidades que o dia a dia …

Teu nome é Pedro, é sobre ti...

Acho que a primeira coisa que quis ser foi piloto de caça, pelo menos a primeira coisa de que ainda me lembro, a coisa que persistiu até minha maioridade penal. Fui soldado da Aeronáutica e tentei provas para ser sargento de lá.
Sax, saber tocar sax, caralho! Tempo passou. Ganhei de uma atriz uma gaita. Tempo passou.  Numa loja me disseram que era uma boa gaita. Tempo passou. O professor de uma primeira e única aula de gaita também disse que era uma boa gaita, uma Hohner dourada, que dorme dentro do seu estojo preto, numa das gavetas da minha parte do guarda-roupa.
Ter uma banda de blues chamada “Black Bird Blues Band” também conhecida por “Four B” ou “4B”. (Se um dia isso se tornar realidade, esta banda se chamará “Baby Blues Band”, por quê? Porque começo a ser conhecido por Baby). Fazer standup onde brinco sobre a origem do meu nome, ser ator, letrista. Cantor e compositor, sem chance.
Escrever, ser um escritor, ser um dramaturgo, ser um roteirista, contista, cronista, pianista, pianis…

Fanfic sobre "Os 13 porques '

13 Reasons Why - Fita 8 lado A

Th1rteen R3asons Why, série de TV original da Netflix, é a primeira, das que já assisti, que 'termina no fim'. O que quero dizer com isso? Que, por mais que eu queira saber se Bryce será condenado por seus crimes, se Alex vai sobreviver, se a mãe de Hanna vai usar as fitas no processo contra a escola ou o que será da vida de Jessica, são todas perguntas com as quais posso continuar vivendo sem saber as respostas. 


Acho que a minha satisfação com o final da primeira temporada se dá porque a série não é sobre Hanna Baker, uma estudante do ensino médio que comete suicídio, mas sobre seu colega de turma, Clay Jensen, que ao receber as sete fitas-cassetes onde Hanna explica as razões porque se matou, empreende uma jornada de autodescoberta, mudando sua atitude diante do mundo, passando de uma postura de omissão para uma postura de ação, rompendo com o código existente entre os que são citados nas fitas, o de não deixarem outras pessoas tomarem conhecimento do conteúdo das fitas. 

O s…